18/03/2010
Ainda que as eleições influenciem pouco no curto prazo da bolsa, creio que é oportuna a discussão da substituição de Henrique Meirelles no Banco Central, e o que sinaliza para o mercado o Partido dos Trabalhadores para o próximo mandato caso seja eleita sua candidata Dilma. Henrique Meirelles simboliza o maior acerto de Lula: a manutenção de uma política econômica que garantisse a estabilidade. E sua substituição pela pessoa errada pode simbolizar uma ruptura da confiança adquirida. O Brasil é um país de instituições fracas e este é um caso em que a pessoa emprestou credibilidade a instituição. E o resultado desta ruptura para os preços dos ativos da bolsa seria terrível.
Caros leitores, ainda que se possa considerar um acerto a elevação dos gastos públicos em custeio, principalmente através de contratações de servidores, há um limite, podem ter certeza. Estes gastos reduzem a poupança interna e a capacidade de crescimento futuro. Para traduzir, consumimos em vez de investir, quem consome hoje e investe menos, consome menos depois. Além disso, as pessoas passam a ter mais dinheiro para consumir, logo os preços sofrem mais pressão para subir, o que é inflação. Para conter a inflação, o Banco Central comprometido com a estabilidade tem que elevar os juros. Por essa razão, teremos juros se elevando nos próximos meses. E fuga de investimentos - que já está no preço, mas a pergunta é em qual medida.
Entretanto o mais grave seria romper com a estabilidade. Se o gasto com custeio impedir o crescimento, será grande o incentivo para que o governo abandone o compromisso com a inflação e mantenha os juros abaixo do nível que seria o ideal. Isto pode impedir uma ueda no crescimento a curto prazo, mas quando os agentes descobrem que foram enganados e que a inflação voltou, a perda de credibilidade é tamanha que prefiro não pensar ao que poderia acontecer ao principal índice da bolsa paulista. E o substituto de Meirelles sinaliza qual é a decisão que será tomada quando a encruzilhada surgir. Portanto, atenção para os últimos dias deste mês.
Sintetizando, os juros vão subir este ano para conter a inflação gerada pelos gastos do governo Lula. O mercado sabe disso, só não sabe a dose exata. Entretanto, não está nos preços um abandono do comprometimento com a meta de inflação. Olho atento no substituo.
AGENDA:
Contudo o ciclo de alta dos juros ainda não iniciou, esta semana o COPOM decidiu por manter a taxa SELIC em 8,75% a.a sem viés de alta ou de baixa. O destaque externo foi o FED que manteve inalterada a taxa de juros em <0,25%.
Quinta-feira será divulgado nos EUA o CPI, índice de inflação para o consumidor, e o número semanal de pedidos de auxílio desemprego.
Abraços e bons negócios.
Eduardo De Nardi Ros.
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