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24/03/2010


FERRI E O MR. M.

Ainda que existam assuntos interessantes como a trajetória de juros no Brasil e exterior, e a aprovação do pacote para a área de saúde do governo Obama, nesta coluna quero abordar uma das várias estratégias que o Ferri usa na mesa de operações da TBCS. Tal qual o Mr. M mostrava os truques que os ilusionistas usavam, quero que os leitores percebam a eficácia e simplicidade dessa estratégia que muitos frutos já rendeu, nesta semana, inclusive.
 
Parta da seguinte hipótese: nenhuma empresa perde mais de 20% de valor em 22 pregões sem que haja um evento realmente (e não aparentemente) catastrófico. Agora assuma uma segunda hipótese: o mercado mensura com baixa margem de erro o valor de uma empresa, porque há informação suficiente para que o erro seja considerado suficientemente baixo para a aplicação a seguir. Note que são hipóteses fortes.
 
A relevância dessas hipóteses está que, qualquer ativo que perca em bolsa mais de 20% em 22 pregões sem algum evento suficiente para justificar a queda foi precificada errada por alguma razão que não interessa, mas poderia ser pânico. Logo, é provável que uma compra do ativo resulte em lucros futuros.
 
O Ferri utiliza muito e muito bem esssa estratégia simplória, entretanto, efetiva e lucrativa: compra ativos extremamente descontados e os vende depois de leve recuperação. Ainda, se ele não quer correr o risco do setor ou da bolsa, entra vendido em outro ativo do setor para compensar a compra (essa parte fica para o leitor mais avançado).
 
Nesta altura o leitor esperto deveria estar se perguntando a razão de todos não fazerem isso e ganharem dinheiro facilmente. A resposta é: não é tão fácil de aplicar esta prática. Primeiro, é preciso experiência e habilidade para saber se o evento que motivou a queda é suficiente ou não (por exemplo, a crise de 2008 era). Depois, nem sempre os ativos estavam bem precificados pelo mercado, podiam estar supervalorizados, isto é, a segunda hipótese nem sempre é verdadeira. Os números de 20% em 22 pregões também não são fixos, dependem caso a caso. O que quero dizer é que a habilidade do operador importa, por mais simplória que seja a estratégia.
 
Por isso, se você não for médico, pague alguém para receitar remédios a sua família. Se você não for engenheiro, pague um para fazer o cálculo estrutural de sua casa. Se não for cabelereiro, pague alguém para lhe cortar as melenas. E se não for operador de bolsa, contrate alguém que entenda do assunto.
 
Bons negócios.
 
Eduardo De Nardi Ros.


*Eduardo De Nardi é fundador e consultor da TBCS Investimentos. Este artigo é produzido por seu autor com intuito meramente informativo, não constituem recomendação para investimento, apenas reproduz a opinião pessoal do autor. A TBCS e o autor não se responsabilizam por decisões tomadas com base nesse conteúdo


 


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