15/04/2010
A respeito da coluna passada, esclareço as razões da minha comemoração em relação a permanência do Meirelles e as razões de o juros ser tão alto no Brasil.
Primeiramente da taxa SELIC, depois de juros na ponta (empréstimo bancário).
A queda de juros não depende da vontade dos bancos, tampouco de bravatas, canetaços ou vontade de todos, incluindo o Meirelles. Os gastos públicos no Brasil são imensos, o que faz o governo ser o maior tomador de empréstimos da economia para financiar o déficit público. É também o maior devedor. Esses gastos também são inflacionários. Então, ao Banco Central resta controlar inflação, que é sua função primordial. Isto posto, os juros são resultado do mercado que é a agregação de todos os agentes da economia e ignorá-lo, como muito se fez no país até a década de 90 e hoje se faz em menor escala, é um pecado mortal. Ninguém determina os juros senão a simples interação de todos os agentes, públicos e privados.
Os juros cairão com inflação sobre controle - o que o Banco Central comandado pelo presidente Meirelles faz com EXCELÊNCIA, queda do déficit público cortando gastos para pagamento da dívida pública. Por essa razão, reformas como a da previdência são tão importantes para o país.
Também ressalto que juros alto reduz a atividade da economia, e isso não é bom para os bancos ao contrário do que pensa a maioria passional da população. Pode ser verificado empiricamente se pensarmos que os lucros recordes dos bancos foram recentemente, período das menores taxas vigentes.
Ainda, se pensarmos nos juros na ponta, leve em consideração apenas o judiciário brasileiro e fica clara a razão de juros altíssimos. O banco empresta para um cara que não paga e ele não consegue executar garantias porque o judiciário é lento, parcial e imprevisível. Logo a inadimplência é alta, os juros são altos, bom pagador resolve não tomar emprestado, o banco sabe disso, aumenta ainda mais a taxa porque sabe que seleciona apenas os maus pagadores: problema de seleção adversa.
Trocando um pouco o assunto: mercado segue em alta firme e a dúvida começa a ser onde vai parar. O DJ subiu 23 dos últimos 28 dias. É bem possível que, mercado decolando, venha alguma parcela de euforia acoplada. Portanto, atenção para não se entusiasmar e entrar pagando caro ou esquecer-se de vender esperando os 100 mil pontos “que vem até o final do mês” – falando daqueles que operam no curto prazo. Para os investidores de longo prazo, pouco muda.
As ações da Petrobras, devido a seu fraco desempenho, visivelmente seguram o IBOV.
É possível que haja problemas com a fusão de Casas Bahia e Pão de Açúcar. Acionistas devem ficar atentos, pois as ações tomaram rebaixe.
Bons negócios
Eduardo De Nardi
*Eduardo De Nardi é fundador e consultor da TBCS Investimentos. Este artigo é produzido por seu autor com intuito meramente informativo, não constituem recomendação para investimento, apenas reproduz a opinião pessoal do autor. A TBCS e o autor não se responsabilizam por decisões tomadas com base nesse conteúdo.
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