27/07/2010
"É uma operação nunca vista no Brasil, a duas semanas da eleição. Há o risco de a diretoria sair em seis meses. Depende da precificação de um ativo difícil, que é um barril futuro. Há a regulação mudando no setor." Foi o que disse o Sr. William Landers, gestor da BlackRock - maior gestora do mundo, para América Latina, ao justificar a redução da participação do fundo para América Latina no capital da Petrobras, ou seja, venda de ações da Petrobras.
A operação a qual se refere o gestor é a capitalização da Petrobras, abordada algumas vezes nesta coluna e em palestras ministradas na TBCS, bem como a mudança de regulação do setor.
O Sr. Landers sintetizou em uma frase o que esta coluna alerta desde o ano passado: incertezas geram recuos no investidor. Quando o analista que precifica, isto é, calcula o preço que vale a ação da Petrobras, são tantas variáveis incertas que o risco passa a não compensar o investimento. O investidor é um conservador em geral, se o risco é alto passa a exigir um prêmio muito elevado que dificilmente uma ação oferece. E é isso que a BlackRock pensa: o risco não compensa o investimento. E mais: a BlackRock também antecipa que outros investidores também pensam da mesma forma e por isso haverá grande oferta de ações por um período e que isto não vai permitir que o preço da ação se eleve de forma satisfatória.
Bons negócios.
Eduardo De Nardi Ros.
*Eduardo De Nardi é fundador e consultor da TBCS Investimentos. Este artigo é produzido por seu autor com intuito meramente informativo, não constituem recomendação para investimento, apenas reproduz a opinião pessoal do autor. A TBCS e o autor não se responsabilizam por decisões tomadas com base nesse conteúdo.
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